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Notícias sobre assuntos de interesse filosófico

8/11/2008

Deus contra Darwin?

Anselmo Borges
Padre e professor de Filosofia

Não cabe aqui um esboço sequer da história das concepções evolucionistas. De qualquer modo, a ideia de evolução já tinha acenado entre os gregos. Em 1809, Lamarck expôs a sua teoria da não imutabilidade das espécies. Mas foi em 1858, há 150 anos, que a ideia da selecção natural e da luta pela existência, de Alfred Russel Wallace e Charles Robert Darwin, foi apresentada na Linnean Society de Londres. No ano seguinte, em 1859, Darwin publicou a obra célebre: A Origem das Espécies.

Atendendo a estas datas e sobretudo às celebrações do segundo centenário do nascimento de Charles Darwin – nasceu em 12 de Fevereiro de 1809 -, aumentarão os estudos científicos sobre as teorias da evolução, não faltando os debates à volta da sua relação com a religião, por causa do livro do Génesis, do “criacionismo” e do chamado “desígnio inteligente”.

O primeiro embate célebre deu-se logo em 1860, em Oxford. Perante uma assistência numerosa, o bispo de Oxford, Samuel Wilberforce, foi perguntando ao naturalista Thomas Huxley, defensor de Darwin, se descendia do macaco pelo lado do avô ou pelo lado da avó. Huxley respondeu: “Penso que um homem não tem que envergonhar-se por ter um macaco como avô. Se tivesse de envergonhar-me de um antepassado, seria de um homem: um homem de inteligência superficial e versátil que, em vez de contentar-se com os sucessos na sua esfera própria de actividade, vem imiscuir-se em questões científicas que lhe são completamente estranhas, não faz senão obscurecê-las com uma retórica vazia, e distrai a atenção dos ouvintes do verdadeiro ponto da discussão através de digressões eloquentes e hábeis apelos aos preconceitos religiosos.”

Por causa desta resposta, considerada pouco elegante, uma senhora desmaiou. A mulher do bispo, essa, terá dito entre dentes: “Só faltava esta: descender de macacos! Se for verdade, rezemos para que ninguém saiba.”

A teoria da evolução constituiu uma daquelas humilhações do Homem de que falou Freud. Embora o Homem não descenda do macaco, ele e o macaco descendem de um antepassado comum, o que não constituiu uma descoberta particularmente exaltante. Desde então a nossa visão da natureza, do Homem e de Deus modificou-se.

Significativamente, já na altura, muitos religiosos britânicos declararam que não havia incompatibilidade com a fé. O historiador das ciências D. Lecourt escreveu: “A figura mais importante da Igreja escocesa declarou-se evolucionista e, num curso, em 1874, aconselhou os teólogos a sentirem-se ‘perfeitamente à vontade com Darwin’.” Darwin, sepultado com pompa, em 1882, na abadia de Westminster, a alguns passos do túmulo de Newton, nunca foi oficialmente condenado pela Igreja católica e A Origem das Espécies nunca esteve no Índex.

De qualquer modo, segundo o reverendo Malcom Brown, director dos serviços de relações públicas da Igreja Anglicana, a sua Igreja deveria agora pedir desculpa pela má interpretação de Darwin e algum fervor anti-evolucionista.

Hoje, os equívocos beligerantes provêm essencialmente do “criacionismo” americano e do chamado “desígnio inteligente”. Mas o “criacionismo” assenta numa leitura literal do mito da criação do Génesis, esquecendo que o Génesis é um livro religioso e não de ciência e que só uma leitura simbólica é adequada. Quanto ao “desígnio inteligente”, o seu equívoco provém da ambição de demonstrar Deus pela ciência.

De facto, como é evidente, a existência de Deus não é nem pode ser objecto de ciência. Mas afirmar taxativamente que a evolução é mero produto do acaso não deixa de ser também uma posição dogmática. A ciência vai respondendo ao “como” da evolução, mas não responde ao “porquê”, concretamente ao porquê e para quê da existência do Homem e de tudo: “Porque há algo e não pura e simplesmente nada?”

Como escreveu o cientista Francisco J. Ayala, na conclusão da sua obra Darwin e o Desígnio Inteligente, “a evolução e a fé religiosa não são incompatíveis. Os crentes podem ver a presença de Deus no poder criativo do processo de selecção natural descoberto por Darwin”.
3/11/2008

Não há incompatibilidade entre evolução e criação

Afirma o Cardeal Schönborn na Plenária da Academia Pontifícia das Ciências

Não existe incompatibilidade entre a teoria científica da evolução e a afirmação cristã da criação. Assim afirmou na sexta-feira passada o cardeal Christoph Schönborn, arcebispo de Viena, durante a assembléia plenária da Academia Pontifícia das Ciências, que terminará amanhã em Roma.

O purpurado explicou que não existe contraposição entre evolucionismo e crença na Criação, mas sim «um conflito entre dois conceitos diferentes do homem e de sua racionalidade, entre a visão cristã e um racionalismo que pretende reduzir o homem à sua dimensão biológica».

Citando diversas intervenções do cardeal Joseph Ratzinger antes e depois de sua eleição como Papa, o cardeal Schönborn explicou que «existem muitas provas a favor de uma evolução».

Contudo, apontou o prelado dominicano, «ainda enriquecendo nosso conhecimento da vida, esta teoria não responde à grande pergunta filosófica: de onde vem tudo e como esse tudo toma um caminho até chegar ao homem?».

Portanto, trata-se de descobrir «que existe uma idéia precedente, que o homem não é fruto do caos, mas que ‘foi pensado’, ‘querido’ e amado» pelo Criador.

No mesmo sentido, o chanceler da Academia Pontifícia para as Ciências, Dom Marcelo Sánchez Sorondo, explicou em algumas declarações à Rádio Vaticano que, longe de contradizer-se, a teoria da evolução está mais próxima ao relato bíblico da criação que outras hipóteses sobre a origem do mundo.

«Pensando no fato de que a Bíblia nos apresenta um Deus que criou o mundo em sete dias, introduz-se a idéia de uma criação progressiva. Neste sentido, está mais próximo que, por exemplo, as teorias dos antigos gregos, que pensavam em um mundo eterno e cíclico», explicou.

A questão não se opõe à teoria da evolução em si, acrescentou, e sim às «filosofias que se apóiam no evolucionismo e que são materialistas, que dizem que só existe a matéria. Mas isso não é ciência, e sim filosofia».

«Utilizam-se teorias científicas para fazer interpretações filosóficas, ou até atéias, afirmando que tudo é caos. Mas repito, esta é uma opinião filosófica que, para dizer a verdade, não pertence aos grandes cientistas, dos quais quase todos são crentes», garantiu.

Segundo Dom Sánchez Sorondo, a Igreja «está aberta ao que a ciência disser. E mais ainda, isso lhe interessa muitíssimo, porque fala da natureza. A Igreja sempre acreditou que a natureza foi criada por Deus, e os homens fazem parte da natureza», concluiu.

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24/10/2008

Bispos espanhóis alertam sobre seleção embrionária para curar

A Conferência Episcopal Espanhola emitiu hoje uma nota na qual declara a posição da Igreja sobre o uso de «bebês-medicamento», após o primeiro caso registrado na Espanha, e advertem que é lícito buscar curar as doenças, mas sem que isso implique matar alguém.Os bispos respondem assim à publicidade gerada pelo primeiro caso de um bebê nascido na Espanha por fecundação in vitro, selecionado geneticamente para não contrair a doença beta talassemia maior, e utilizar seu cordão umbilical para curar um irmão mais velho, que padece da doença.Esta técnica, constata a nota esclarecedora, tem «implicações morais que não foram assinaladas nestes dias por alguns meios de comunicação social».«Enfatizou-se a feliz notícia do nascimento de uma criança e a possibilidade da cura da doença de seu irmão. Apresentada assim, a notícia supõe um motivo de alegria para todos. Contudo, silenciou-se o fato dramático da eliminação dos embriões enfermos e eventualmente daqueles que, estando saudáveis, não eram compatíveis geneticamente», advertem.Neste caso, o nascimento «veio acompanhada da destruição de outras pessoas, seus próprios irmãos, aos que se lhes privou do direito fundamental à vida».

A estes embriões destruídos, explicam os bispos, se lhes «desfechou por não ser úteis desde a perspectiva técnica, violando assim sua dignidade e o respeito absoluto que toda pessoa merece em si mesma, a margem de qualquer consideração utilitarista».

Também, «o irmão que finalmente nasceu foi escolhido por ser o mais útil para uma possível cura. Violou-se desta maneira seu direito a ser amado como um fim em si mesmo e a não ser tratado como meio instrumental de utilidade técnica».

«Deve-se curar os enfermos, mas sem eliminar ninguém para isso. A compaixão bem entendida começa por respeitar os direitos de todos, em particular, a vida de todos os filhos, sadios e doentes», explicam.

Os bispos esclarecem que a nota «não julga a consciência nem as intenções de ninguém», mas, recordando as orientações sobre a reprodução humana artificial publicadas pela CEE em 2006, advertem que «as propostas emotivas encaminhadas a justificar estas práticas são inaceitáveis».

«O fato feliz do nascimento de um bebê são não pode justificar a instrumentalização à qual foi submetido e não basta para apresentar como progresso a prática eugenésica que supôs a destruição de seus irmãos gerados in vitro.»

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Matar uma pessoa em benefício de outra?

O debate sobre a pesquisa com células-tronco mediante a destruição de embriões é essencialmente uma das não-razões para matar uma pessoa em benefício de outra, disse o professor da Princeton (Estados Unidos) Robert George, durante o discurso de encerramento da 77ª Conferência Anual da Associação Médica Católica, sobre as aplicações à práxis médica da teologia do corpo de João Paulo II.Cerca de 310 médicos e 18 estudantes de medicina se reuniram, de 9 a 12 de outubro, em Baltimore, Maryland, para refletir sobre a «Teologia do Corpo: Desafios Atuais à Saúde, Consciência e Dignidade Humanas».A conferência anual, sob o patrocínio da esposa, mãe e médica católica Santa Gianna Beretta Molla, foi inaugurada com uma missa, presidida pelo cardeal William Keeler, arcebispo emérito de Baltimore. O arcebispo Edwin O’Brien, que atualmente pastoreia a sede de Baltimore, presidiu a missa de encerramento.George, que é professor de Jurisprudência e membro do Conselho de Bioética do Presidente dos Estados Unidos, disse que a «ciência, em concreto a embriologia, está do lado daqueles que rejeitam a idéia de uma pesquisa com células-tronco embrionárias».Explicou que a ciência revela que o embrião humano, desde sua primeira manifestação, como zigoto unicelular, é um ser auto-determinado, que dirige por completo seu crescimento e desenvolvimento. Sublinhou que, desde a concepção, o ser humano passa por estágios de desenvolvimento, mas não pode ser considerado outro tipo de ser.

Argumentou que justificar a matança de crianças deficientes com o fim de obter órgãos transplantáveis, inclusive para enfrentar a doença e sofrimento de outras pessoas, seria insustentável e ninguém deveria defender essa prática, baseando-se na «necessidade de órgãos».

«Se o debate se prepara com uma séria atenção aos fatos de embriogêneses e desenvolvimento humano prematuro, e mais profundamente, inerente e igual dignidade dos seres humanos, afirmou George, então, como nação, chegaremos no final à rejeição da deliberada obtenção de vida humana, independentemente dos benefícios prometidos.»

E acrescentou: «os cientistas já fizeram um impressionante progresso quanto ao objetivo de produzir células estaminais plenamente pluripotentes com métodos não-destrutivos de cultivo de células-tronco de tecidos adultos e do sangue do cordão umbilical.

Para mais informação: Catholic Medical Association, www.cathmed.org

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23/10/2008

Filosofia no ensino médio colocará profissão em alta

A lei que torna obrigatório o ensino de filosofia e sociologia nas escolas de ensino médio públicas e particulares em todo o Brasil, sancionada em junho deste ano, colocará a profissão em alta por conta da necessidade de contratação de professores. As secretarias estaduais ainda estão se adequando para começar a implantar a disciplina no currículo escolar, mas a expectativa entre os filósofos é que a demanda por profissional da área aumente a partir de 2009, assim como o interesse pelo curso.

Em Bauru, a Universidade do Sagrado Coração (USC) é a única instituição a oferecer o curso de filosofia. Tradicional e com mais de meio século, no decorrer dos últimos anos caiu a demanda pelo vestibular para o curso. Para o filósofo Fausi dos Santos, o modelo capitalista é o responsável por isso. “Vivemos em um mundo tecnicista, que pensa no retorno financeiro rápido e esquece da potencialização do pensamento”, afirma.

“O que poucos vêem é que se torna cada vez mais importante o investimento em autocapacitação, treinamento e aprimoramento do conhecimento. Hoje, o mercado internacional busca profissionais com visão mais crítica, que agrega conhecimento. Os menos preparados são mais fáceis de serem dominados”, acrescenta.

Além da demanda por professor de filosofia que deve crescer por conta da lei que prevê a obrigatoriedade do oferecimento da disciplina no currículo do ensino médio, Cláudio Eduardo Badaró, coordenador do curso de Filosofia da USC, frisa que o filósofo pode atuar em outras áreas. “O filósofo pode atuar como articulista de jornal, assessor técnico em Organizações Não-Governamentais, Ministério Público, consultor especialista de análise humana, escritor, como filósofo clínico, entre outros”, revela.

“E diante essa nova lei, a demanda vai aumentar ainda mais e o número de profissionais ainda é pequeno”, complementa Badaró. Filosofia, assim como sociologia, já fazia parte do currículo do ensino médio, mas foram retiradas em 1971 por determinação da ditadura militar. “Essa é a chance de deixarmos de formar jovens analfabetos funcionais e formarmos pessoas com postura crítica, com flexibilidade intelectual, mais humanizado”, finaliza Fausi.

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Educação quer incentivar ensino da Filosofia e da Sociologia

Profissionais e deputados debateram sugestões para capacitar docentes

Propostas para formar e capacitar professores para as disciplinas de Filosofia e Sociologia, nas escolas do Ensino Médio, foram avaliadas, ontem, na audiência pública promovida pela Comissão de Educação e Cultura da Alepe. Coordenadores e professores dos respectivos cursos reivindicam mais vagas nas licenciaturas, querem especializações e cursos de formação continuada, com o objetivo de suprir a demanda. As matérias foram retiradas da grade curricular durante a ditadura militar, mas a sanção da Lei Federal nº 11.684, em junho deste ano, tornou obrigatória a inclusão das disciplinas nos currículos do Ensino Médio.

De acordo com a gerente de Ensino Educacional do Ensino Médio, que representou a Secretaria Estadual de Educação (Seduc), Cantaluce Lima, o Governo do Estado implementou as disciplinas na rede estadual de ensino em 2001. “Fizemos uma organização na grade curricular. Ofertamos Filosofia aos alunos do segundo ano científico, e Sociologia aos estudantes do terceiro ano”, explicou. A gerente de Ensino Educacional disse ainda que têm sido feitos investimentos nos professores, viabilizando a participação deles em cursos específicos. Ela concordou, entretanto, que é preciso mais incentivo para que haja mais professores nas disciplinas.

Para o coordenador de Mestrado do curso de Filosofia da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Alfredo Moraes, os professores da rede estadual deveriam se especializar na área. Ele disse que o curso está sendo reformulado para atender aos interesses da classe e anunciou que a UFPE promoverá um curso sobre a História da Filosofia.

Lady Selma Ferreira, que coordena o curso de Ciências Sociais da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE), avaliou ser necessário melhorar a qualidade das licenciaturas de maneira geral. “O trabalho do sociólogo é baseado em estudos sobre as causas da desigualdade social no Brasil e no mundo”, destacou, acrescentando que existe um projeto no sentido de tornar a Sociologia mais atraente e próxima do cotidiano das pessoas, a partir da oferta de cursos de extensão.

Representante do Conselho Estadual de Educação, Cleidemar Barbosa chamou a atenção para as reformas curriculares com a retomada das disciplinas. “Essas matérias nos fazem refletir melhor sobre a formação dos cidadãos. As escolas da rede privada já ofertam as disciplinas, mas é necessário que haja um acompanhamento desses profissionais.”

A presidente da Comissão de Educação da Casa, deputada Teresa Leitão (PT), avaliou o encontro como positivo. Para a petista, a participação de representantes de diversas entidades enriqueceu o debate. “As propostas sintetizaram o papel de cada instituição. É preciso investir mais na formação continuada, oferecer cursos nas áreas de Filosofia e Sociologia e debater o currículo que interessa ao Ensino Médio de qualidade”, pontuou.

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27/10/2008

Autonomia do paciente será tema de debate do novo código

A autonomia para que o paciente decida sobre sua própria vida. Este tema polêmico será assunto do novo Código de Ética Médica. A idéia é mudar a lógica hoje existente, em que o a vida é o bem primordial a ser defendido. “Temos de valorizar também a vontade, a autonomia do paciente. Algo que hoje, em vários aspectos, está colocado em segundo plano”, observou o vice-presidente do Conselho Federal de Medicina, Roberto Luiz d’Ávila. Segundo este princípio, o médico teria de respeitar a decisão de um paciente que não queira, por exemplo, fazer uma cirurgia. Mesmo que isso implique sua morte. “Hoje isso não é possível. O médico teria de fazer a cirurgia, mesmo contra a vontade do paciente.”

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26/10/2008

Código de Ética médica no Brasil

A prática comum entre médicos de aceitar viagens, inscrições em congressos e brindes da indústria farmacêutica deverá ser proibida pelo novo Código de Ética Médica, previsto para entrar em vigor no próximo ano. Um grupo importante do Conselho Federal de Medicina (CFM), que agora começa a discutir o novo texto, defende que esse comportamento passe a ser considerado formalmente como infração ética. “Médico tem de deixar de ser garoto-propaganda”, afirmou o vice-presidente do CFM, Roberto Luiz d’Ávila. “Sinto-me envergonhado com a atitude dos colegas.”

A iniciativa surge em meio à polêmica causada pelas acusações de envolvimento de médicos em um esquema que forjava ações judiciais para obrigar o Estado de São Paulo a comprar remédios de alto custo para o tratamento de psoríase – doença que provoca feridas na pele. Os médicos do esquema prescreviam medicamentos caros fornecidos por determinados laboratórios e, com a prescrição na mão, o paciente entrava na Justiça orientado por representantes dos laboratórios.

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25/10/2008

Código de Ética nas sociedades de advogados

O primeiro código de ética das firmas de advogados já foi elaborado e entregue ao Conselho Geral da Ordem. O documento, cuja preparação foi anunciada por António Marinho e Pinto em Junho deste ano, resulta de um trabalho levado a cabo pelo Instituto das Sociedades de Advogados (ISA), de que é presidente Rui Pena.

O primeiro código de ética das firmas de advogados já foi elaborado e entregue ao Conselho Geral da Ordem. O documento, cuja preparação foi anunciada por António Marinho e Pinto em Junho deste ano, resulta de um trabalho levado a cabo pelo Instituto das Sociedades de Advogados (ISA), de que é presidente Rui Pena.

As novas regras, que antes de aprovadas deverão ainda ser alvo de debate no seio da classe, visam clarificar as normas de conduta no relacionamento que advocacia societária deverá acatar face à concorrência, aos associados e aos clientes.

Embora o estatuto da Ordem dos Advogados já estabeleça os princípios basilares do exercício da advocacia, o mesmo está virado, sobretudo, para os profissionais que exercem em regime de prática individual. O novo código irá, assim, “estabelecer regras complementares para o exercício da profissão no seio de uma sociedade de advogados”, observou ao Negócios o presidente do ISA.

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19/10/2008

O sistema metafísico da existência e o caso dos mutu-angolanos

A noção da existência entre os Côkwe, Kimbûndu, Kôngo, Nyaneka, Umbûndu ou vulgo entre o Muntu-angolano, é interessante per si expressa. Vamos aqui tentar explorar o rosto do sistema metafísico muntu-angolano que regula por conseguinte a filosofia da existência.
«Eu sou neto de…»; «eu sou sobrinho de…», etc. são as respostas quando, entre o muntu angolano, é colocada a pergunta: «onduko’yove?», «dijina dye?», «nkûmbu’a ngeye nani» ou seja «qual é seu nome?». Nota-se que os angolanos se apresentam pela sua ascendência. Também é muito comum ver os angolanos casar seus futuros filhos muito antes de estes nascerem. Isto é, programam o que materialmente não existe; ou seja, as ideias pré- -substanciem materialmente. Sendo assim é bom sublinhar:
1) A pré-existência absoluta: o exemplo das crianças que são casadas sem portanto existirem de concreto;
2) A pré-existência passiva: o facto de os angolanos negarem suas existências, embora gozam plenamente de «Ergo sum», e pretenderem existir em nome dos seus ascendentes.
Como se pode notar, a vida é aqui definida metafisicamente: começa-se pela mente e palavra (metafísica), passa-se pela concretização material (física) e volta-se para mente depois da morte (metafísica). Nascer e morrer são as partes físicas da existência passiva do Ser Humano cujo objectivo principal é preparar a sua verdadeira existência. Para melhor explicitar, convém compreender «quem é Ser Humano»?
O termo genérico é muntu (pessoa, individuo independentemente do sexo). Esse termo significa em Nyaneka «o possuidor de omu-twe» (twe cabeça é a forma metafórica de: conhecimento, inteligência, sabedoria, etc.). Em Umbûndu temos omu-ntu. É bom assinalar que ntu (cabeça) deriva do verbo oku-tuwa que significa habituar, acostumar, usar no sentido de que o ‘ntu’ significa algo que conhece os hábitos, costumes e usos através da socialização. Em Kikôngo, tuwa significa edificar algo ou alguém. O variante tubama é «encher até ao limite» ou seja perfazer, «estar na plenitude», «elevar», «encher completamente» (Laman:1936,p.988). Isto é, a construção da cabeça é questão do tempo, razão pela qual bituba significa também «tempo» ou «período». Quer dizer que omuntu é aquele que é “iniciado na sua plenitude”, quer dizer deus em minúsculo. O bebé omuñkayi-ntu ou omuñkahi-twe é a “pessoa em processo da sua plenitude como iniciado”. Por isso, o seu corpo é chamado olu-heve, ehivivi. Somente depois da iniciação que a pessoa entra na sociedade e assume em plenitude a sua qualidade de muntu. Mas nem com isso começa a existir, estando ainda na pré-existência relativa ou existência passiva.
A explicação mitológica da origem do Homem (criação do mundo por Huku, Kalûnga, Suku, Nzâmbi) liga o material com o imaterial. O mateiral está ao alcance do homem sem recurso aos terceiros, assim como o corpo que, na verdade, não é preciso algum aparelho para evidenciar sua existência: olu-tu é o corpo duma pessoa viva, com seus sentidos a funcionar normalmente. Razão pela qual ainda subsiste a partícula tu, tal como nos Kôngo: nitu. O corpo sem sentido (cadáver, por exemplo) é endindi ou omutumba em Umbûndu/Nyaneka. É diferente do corpo duma criança (ehivivi) assim como do corpo de um animal (ovimpha). Nos Côkwe, o ser humano é o resultado da experiência que lhe faz, naturalmente, uma pessoa boa: thù segundo Barbosa, significa «condição (estado ou característica) do ser humano» e ao mesmo tempo «bondade, humanidade» (Barbosa: 1989,p.608). Também é o caso de Kôngo, Kimbûndu e Nyaneka.
O sistema metafísico muntu-angolano responde a um padrão que, para além de ser descoincidente em relação ao sistema aristotélico em pontos essenciais, impossibilita a leitura da filosofia dita africana ou negro-africana iniciado no projecto tempelsiano consoante os instrumentos cartesianos, tal como tem feito habitualmente os formados em filosofia, entre eles, Bilolo, Kagame, Kwasi Wiredu, Mudimbe, até Bidima, Kwame Apphiah, Odera, etc. todos, netos e bisnetos de Tempels.
Bidima ao apresentar ética da parábola, explica por exemplo que a «doença é o caminho para cura» e não é tida como uma queda anatómica. Kimpianga Mahaniah, a sua vez, apresenta a morte como ascensão do muntu a divindade (exisência) sem ni-tu, razão pela qual os rituais fúnebres se confundem com as festas. Ambos autores ajudam-nos a perceber quanto a existência, no pensamento africano, vai além da física.
Existir: oku-li, oku-li-ko (viver): «Ambalau eheneye k’ouye, ame ndyili-ko-ale: Eu já existia antes de Abraão vir ao mundo» (Da Silva: p.229). Encontramos li em Côkwe (Barbosa: 1989,p.271). Tem também oku-kala: estar, residir, etc. Em Umbûndu é a mesma coisa para além dos termos como ‘fwima’ (viver, respirar) e, genericamente, oku-kala (estar) é preferido. Oku-kala que é presente em quase todas populações angolanas específica que a ‘missão humana’ consiste em “existir” depois de acumular os ingredientes da compreensão da natureza = ñtu, ñtwe. Em Kikôngo por exemplo, ku-kala significa: a) ser, viver, b) existir, restar, etc. Di-kala, portanto, quer dizer tempo, ou seja o tempo passado, as vezes como advérbio: há muito tempo, já. Exemplo: kala kafwa: “já morreu há muito tempo”. Tudo indica que ñtu, ñtwe é produto do tempo ou seja da “longa existência”. Razão pela qual o possuidor dessa “compreensão da existência” chama-se muntu, omuntu: pessoa que possui o conhecimento da existência.
O Direito à vida, na verdade, é a escravidão do ser humano pelo trabalho para a sua sobrevivência. Sem trabalho não se vive. Para o muntu-angolano, trabalhar se traduz por exercer uma actividade sobre o solo, e isso justifica-se perfeitamente com o povo agricultor/caçador. Mas o sistema metafísico perante a terra tem uma explicação diferente e altera a conotação da versão existencial sobre «Direito Humano» que está intimamente ligador ao «trabalho». Trabalho está ligado com a terra. Osi, Oci, Ohi, Nsi, Osi são os termos em línguas angolanas (Umbûndu, Côkwe, Nyaneka, Kikôngo, Kimbûndu) para dizer terra ou chão mas também país. Os termos derivam de uma mesma raiz, o verbo oku-sikila (hospedar-se em Umbundu), ku-cihila (abrigar-se em segurança em Côkwe), oku-hikula (hospedar em Nyaneka), ku-sikila (fundar as bases de viver, de conviver em kikôngo) e kusila ou ku-sikilila (abrigar, preservar, hospedar, respeitar as normas de abrigo em kimbûndu). Isto é, em línguas angolanas, a TERRA que literalmente significa o nosso abrigo. Por essa razão a Terra pertence a comunidade e não a um indivíduo singular. «Kyame i vwa, kyeto ka vwa ko» ou seja o que é meu acaba, mas o que é nosso não acaba porque «Mbôngo mu ñtoto, fwa dya kânda, ka yidyânga muntu mosi ko», o que produz a terra (assim como a Terra por si) pertence a comunidade. Ninguém poderá atribuir-se dela individualmente. O caso é Côkwe, Umbûndu…
Colocando a questão da identidade, nota-se a predestinação de muntu angolano que antes de nascer, dá-se-lhe nome para além da sua nascença ter um «lugar no aparelho social» com um «fim já prognosticado». Justifica-se aliás os casamentos antecipados mesmo antes da «existência» dos «noivos» que ainda são «pensamentos feéricos». O homem não escolhe o seu destino porque é inserido num programa já predestinado por aqueles que viveram antes dele. E se voltamos até o primeiro que existiu, veremos o nome de Nzâmbi, Suku, Kalunga constituir o pano do fundo. A ele, é reservado a predestinação junto daqueles que já integraram a santidade (mortos). Embora o pensamento da existência material tenha condicionado os novos padrões do muntu-angolano actual, três questões ainda são pertinentes:
1) Porque ainda prevalece a noção de nduko, dijina, ñkûmbu?
2) Porque, apesar da colonização, a noção do nascimento, vida e morte permanecem cúmplices da pré-existência que nos leva a consultar kimbandeiros ou a pretensão de conhecer o que vai nos acontecer antecipadamente?
3 Porque a noção da terra, apesar das fronteiras e leis estabelecidas depois da colonização, não radicou uma nova existência do muntu-angolano perante o oci/nsi?
Vamos parafrasear com Appiah (In my father House) que identifica a «raça» como dispositivo organizador dos primeiros pensamentos filosóficos (pan-africanismo: racialismo, racismo extrínseco e intrínseco) e, na sua opinião, determina veículo obrigatório das reflexões subsequentes. Aliás, afirma que «toda identidade é construída e histórica» observando que as identidades africanas «pressupõem falsidades demais» (Apphia:1993,p.243). Tal pensamento instrumentalizado pelo existencialismo não parece satisfatoriamente compatível ao sistema metafísico da existência no pensamento muntu-angolano. O muntu, ao contrário do bantu de W. Bleek, é toda pessoa dotada da inteligência seja ele ndombe ou mundele. A sua discrepância não implica alguma oposição. A oposição não existe, mas sim a justaposição (já referenciado pelo Sen-ghor). De modo que o racismo (tribalismo=racialismo?) na boa verdade, não tem cabimento na concepção da existência muntu-angolana.
Na filosofia da existência do muntu-angolano a oposição não existe, mas sim a diferença, discrepância e alternância que se efectuam numa justaposição natural. O sistema metafísico angolano suste.

Patrício Batsîkama

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Filosofia africana

O adjectivo “africana”, acima mencionado e que qualifica a palavra filosofia, é formado a partir do termo “África” que, segundo alguns estudiosos da linguagem, deriva do Grego “aphriké”, do Berbere “awrigas”, de “afryquah” significando colónia, e do Latim “aprica” significando “exposto ao sol”.
Desse último significado da palavra África, ou seja, exposto ao sol, e da inconstância sócio-económico-política do continente africano, forja-se falaciosamente a ideia de que o povo africano não tem “queda” para filosofia, não tem “cabeça” para abstracção, para metafísica. Será isso verdade? Não há nessa opinião um preconceito que remonta a Homero, Aristóteles, Platão e outros?
A expressão ”filosofia africana” pode parecer estranha para muitos, no entanto, o povo africano filosofa, tem “cabeça filosófica”. Senão vejamos: Metafisicamente falando, os africanos possuem palavras e termos que remetem à ideia, a conceitos ontológicos, tais como, em Iorubá (língua africana): “ni” significa ser, ”mõ” significa conhecer, ”ofifo” significa o nada.
Em Banto (outra língua africana): “ntu” expressa a ideia de ser. A partir do conceito de ser (ntu), a cultura bantu deriva quatro categorias de tudo o que se pode conhecer: 1. “muntu” conceitua o ser-de-inteligência (o ser humano); 2. “kintu” significa o ser-sem-inteligência (as coisas); 3. “hantu” expressa o ser-localizador (lugar-tempo); 4. O ser-modal (modificação do ser).
Além dessas quatro categorias, na filosofia africana, especificamente a filosofia bantu, são de suma importância estes conceitos: unificação de lugar e tempo, distinção entre o existir e o viver
Os bantu (etnia africana) chegam à ideia de que lugar e tempo são concomitantes, baseados na localização dos existentes, uma vez que “qualquer existente, assim que surge, supõe necessariamente o antes e o depois”. Ao lado disso, a diferença entre o existir e o viver se faz, na filosofia bantu, da seguinte forma: o existir é abrangente, geral, universal; enquanto que o viver é um momento do existir, é uma particularidade do existir.
Convém observar que alguns pensadores africanos entendem que os conceitos filosóficos chegam a eles através da música, da percussão, da religião e da dança.

Fonte: Jornal de Angola

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7/10/2008

Fetos anencefálicos

O Conselho Episcopal Pastoral (Consep), em reunião, de 19 a 21 de agosto, em Brasília, emitiu uma nota referente à Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental 54 do Supremo Tribunal Federal (STF), que tem como objetivo legalizar o aborto de feto “anencefálico”.

Na nota, o Consep reafirma a posição da Igreja Católica de que todos têm direito à vida. “Nenhuma legislação jamais poderá tornar lícito um ato que é intrinsecamente ilícito. Portanto, diante da ética que proíbe a eliminação de um ser humano inocente, não se pode aceitar exceções. Os fetos anencefálicos não são descartáveis”, diz a nota.

Nesta tarde, a CNBB cede à imprensa uma coletiva na qual Dom Geraldo, Dom Luiz e, ainda, o secretário-geral da CNBB, Dom Dimas Lara, respondem aos jornalistas questões relacionadas ao aborto de fetos anecefálicos e sobre a Raposa Serra do Sol.

Ler mais.

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Congresso internacional sobre a defesa da vida

A CNBB em parceria com a Pontifícia Academia para a Vida (PAV) realiza entre 25 e 28 de novembro, em Itaici, município de Indaiatuba (SP) o Congresso Internacional “Pessoa – Cultura da Vida e Cultura da Morte”.

O Congresso terá início com solenidade de abertura, logo após haverá a Aula Magna: Fundamentos Antropológicos para a Bioética, com o presidente Emérito da PAV. Ainda no primeiro dia, o chanceler da PAV, Mons. Dr. Ignácio Carrasco de Paula, abordará “A Defesa da Vida no Magistério”, de Bento XVI.

Farão parte da programação reflexões acerca do “Documento de Aparecida e a Defesa da Vida”, “Análise bioética do uso das células tronco embrionárias humanas”, “eutanásia”, a “dignidade da pessoa humana na Constituição brasileira”, entre outros.

No segundo dia o Núncio Apostólico, Dom Lorenzo Baldisseri, presidirá missa às 7 horas. E, no último dia, o Cardeal metropolitano de São Paulo, Odilo Pedro Scherer, celebrará com o tema “O papel do pastor na construção da cultura da vida”.

Na última reunião do encontro, os membros da CNBB e da PAV participarão de plenária, presidida pelo presidente da PAV, Dom Rino Fisichella. Ao meio-dia encerram as atividades do Congresso.

Fonte: Notícias Canção Nova

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6/10/2008

Poeta, monge e cientista discutem fé e conhecimento

A Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais) promove, no dia 18 de outubro, um debate intitulado «Fé e Conhecimento: a perspectiva do cientista, do poeta e do monge».

O evento será no Campus Pampulha, em Belo Horizonte, e terá a participação da escritora Adélia Prado, da cientista Ana Lydia Sawaya e do prior do mosteiro trapista do Brasil, Dom Bernardo Bonowitz.

O encontro propõe discutir diferentes aspectos da relação entre fé e ciência, em diálogo com as contribuições de Dom Luigi Giussani na obra “É possível viver assim?” (Ed. Companhia ilimitada, 2008).

Mais informações em www.fafich.ufmg.br

Fonte: Zenit

NB: Para uma discussão sobre fé e conhecimento não foi convidado nenhum filósofo.

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2/10/2008

Curso livre de História da CIência

O Centro de Estudos de História e Filosofia da Ciência, numa colaboração com a Fundação Eugénio de Almeida, promove o segundo curso livre de “História da Ciência”. O objectivo é abordar a ciência e a cultura científica no contexto português. De 16 de Outubro a 7 de Maio de 2008, no Palácio do Vimioso da UE.

No quadro do conhecimento histórico e científico actual, a História da Ciência vem suscitando um interesse crescente por todos aqueles que se sentem atraídos pela difusão e divulgação das ideias científicas. E, neste ponto, é natural que nos interroguemos sobre os contributos científicos e da cultura científica no desenvolvimento material, político, social e cultural de Portugal, num fio cronológico que se estende por vários séculos: desde as aventuras oceânicas, sempre acompanhadas pelo desvendar dos segredos de um novo mundo natural, passando pelas primeiras publicações científicas nacionais, ao lançamento do cabo submarino, á participação nas grandes exposições universais e nos primeiros congressos mundiais, até ao Nobel de 1949.

Esta é a perspectiva deste Curso Livre de “História da Ciência”, outros se seguirão com abordagens diferentes, mas sempre com o propósito de responder à curiosidade de quem se interessa por este tema.

Mais informações, Programa e Ficha de Inscrição, aqui.

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20/07/2008

Procura-se Professor

Desde o dia 2 de junho, as disciplinas de sociologia e filosofia tornaram-se obrigatórias por lei federal a fazer parte da grade curricular das 24 mil escolas de Ensino Médio. A decisão, no entanto, trouxe à tona um problema a ser resolvido a longo prazo: o déficit de professores das duas áreas. Segundo estudo do Ministério da Educação (MEC), para suprir a demanda seria preciso 15 vezes mais professores de filosofia e 40 vezes mais de sociologia.

A volta de ambas as matérias ocorreu após 37 anos afastadas das escolas. No dia da apresentação da nova lei no mês passado, o ministro da Educação, Fernando Haddad, afirmou que o retorno das disciplinas pode trazer benefícios para a formação dos estudantes no que diz respeito ao acesso aos temas que promovem pensamento e reflexão. “O indivíduo primeiro se apropria da cultura, toma distância e, então, se posiciona frente ao mundo social, do trabalho, da política”, afirmou.

Mas, para quem atua na área, os resultados só aparecerão se houver uma reestruturação geral e complexa da educação pública como um todo.

Esta é a opinião do doutor em Ciências Políticas e diretor da Faculdade de Ciências Sociais da PUC-Campinas, Pedro Rocha Lemos. “A baixa procura dos estudantes por licenciaturas é um reflexo da má qualidade do ensino no País. O fato de não haver professores de sociologia e filosofia no mercado é um bom exemplo de que algo precisa ser feito”, opina.

Lemos também acredita que o problema não está restrito às duas áreas. “Há uma desvalorização geral dos professores, sobretudo os que atuam em escolas públicas. Por isso, muitos alunos após se formarem optam pelo bacharelado e vão atuar em outras áreas”.

Para Lemos, a única forma de acabar com a falta de mão-de-obra vigente é tornar a carreira de professor mais atrativa. “No discurso, a educação sempre aparece como prioridade. Mas na prática sabemos que ela sempre será secundária. Quando houver condições adequadas para exercer a profissão com certeza estas vagas serão preenchidas”, conclui.